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Nome: Raphael Crespo
Nasc.: 23/01/78
Local: Rio de Janeiro
Profissão: Jornalista
Msn:raphaelfc@hotmail.com
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:: Sábado, Maio 15, 2004 ::
O ano está sensacional. Depois de um show fantástico do Iron Maiden em janeiro, nós cariocas já vimos um melhor ainda do Living Colour. Quinta-feira passada, foi a vez do grande Motorhead. Aqui vai uma pequena crítica sobre o fantástico show. Antes, um link para a matéria que fiz para o Caderno B, no dia do show, após um papo por telefone com o Lemmy: AQUI
Motorhead ensurdece o Canecão
Ao longo de seus 29 anos de estrada, o Motorhead ganhou, entre outros títulos, o de banda mais barulhenta do mundo. Pois no último dia 13 de maio, o público carioca pôde comprovar, no Canecão, que a reputação não foi construída por acaso. Num show arrasa-quarteirão, de uma hora e meia de duração, o trio inglês, do quase sessentão vocalista/baixista Lemmy, mandou todos de volta para a casa com um prazeroso zumbido no ouvido.
O show do Rio abriu a sequência de três apresentações no Brasil, na quinta passagem da banda pelo país, que ainda teria datas em São Paulo e Vitória (ES). Às 21h30, horário marcado para o início da barulheira, o Canecão já estava completamente lotado e o público variava entre adolescentes ainda iniciantes no mundo do heavy metal e os coroas ''Hells Angels'', que trocaram o ronco dos motores de suas motos Harley Davidson pelo ''trovão distorcido'' do baixo de Lemmy.
Com 45 minutos de atraso, a banda finalmente entrou no palco e já despejou a música Motorhead, de seu primeiro disco, auto-intitulado. Bastaram os primeiros acordes para o público começar a agitar. Uma multidão que pulava sem parar. A não menos clássica No Class veio na sequência e deu a certeza a todos os presentes de que seria um show inesquecível.
Lemmy foi ao microfone e perguntou se o som estava alto o suficiente. Diante da resposta negativa do público, fez um sinal para os responsáveis pela mesa de som e mandou aumentar, para delírio da galera. Após Civil War, em que o pedal duplo do fantástico baterista Mike Dee foi o grande destaque, a banda emendou e God Save the Queen, do Sex Pistols, cantada em coro pela platéia.
Depois de Metropolis e Doctor Rock, outros dois clássicos das antigas, Lemmy parou para apresentar a música seguinte. Dizendo se tratar de uma homenagem feita em vida a uma banda de dois amigos que morreram recentemente - Joey Ramone, vocalista, e Dee Dee Ramone, baixista - o vocalista anunciou a música R.A.M.O.N.E.S. e, no melhor estilo da banda de Nova York, precursora do punk rock, começou a execução com o famoso ''one, two, three, four!''. O Canecão veio abaixo.
Sem pausa para respirar, vieram Over the Top, Damage Case e a rapidíssima e pesada Sacrifice, entremeada por um solo de bateria em que Mike Dee espancou seu instrumento sem a menor piedade. O blues-metalizado de You Better Run acalmou um pouco os ânimos da platéia, que agitava de forma selvagem, mas não por muito tempo. Lemmy anunciou: ''essa música eu fiz para vocês''. Era a deixa para Going to Brazil, música de 1991, que foi escrita pelo vocalista num avião a caminho do país.
O refrão de Killed by Death, que veio na sequência, foi cantada em uníssono e abriu caminho para uma das músicas mais famosas da banda: Iron Fist, que precedeu um curto intervalo para os coroas do Motorhead tomarem um ar, mas que deixou o público com sede de mais.
O bis foi dos mais matadores. Primeiro com Bomber, quando ficou nítido que a fonte do peso do Motorhead é o baixo de Lemmy, já que a guitarra de Phil Campbell estava muito baixa. Nada que interferisse na empolgação da platéia, que só faltou se matar na música seguinte, a mais esperada da noite: Ace of Spades. Uma roda gigantesca se formou no meio da pista do Canecão, com absolutamente todos agitando, o que se estendeu em Overkill, que fechou a noite de forma arrasadora, com a banda prometendo voltar mais vezes.
:: RAPHAEL CRESPO 5/15/2004 04:45:57 PM :: Comments:
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Aqui vai a crítica do novo disco do Lostprophets. O som é até agradável de ouvir, pois não chega a ser o new metal americano e lembra bastante o ótimo Incubus, mas não traz nada de novo. É apenas mais uma banda.
"Start Something" - Lostprophets
Também existe rock/metal alternativo no País de Gales. Fazendo um tipo de som tipicamente americano, o galeses do Lostprophets chegam a seu segundo disco - Start Something - já com um bom destaque na cena dos EUA e demonstra qualidades que algumas bandas do chamado new metal não têm.
A banda surgiu em 1997, formada por jovens que estavam cansados da cena alternativa britânica, contando com o ótimo vocalista Ian Watkins, além de Lee Gaze e Mike Lewis nas guitarras, Stuart Richardson no baixo, Mike Chaplin na bateria e Jamie Oliver, programação e vocal.
O Lostprophets faz um som muito parecido com os americanos do Incubus. Só isso já basta para a banda ser boa. Mas, e a originalidade, onde fica? A influência é clara não só de Incubus, mas de Faith no More também.
De qualquer forma, Start something é um disco bastante agradável de se ouvir e tem como defeito apenas o fato de ser uma banda diferente que não apresenta nada de novo. Músicas como a pesada faixa-título, além de To hell we ride e Last train home, junto com as mais melódicas, como Hello again, Last summer e We are Godzilla, you are Japan, ao menos, provam que o que falta em originalidade sobra em qualidade ao Lostprophets.
Link para a crítica no JB Online
:: RAPHAEL CRESPO 5/15/2004 04:41:53 PM :: Comments:
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:: Segunda-feira, Maio 10, 2004 ::
O Dead Fish é uma excelente banda brasileira de punk rock/hardcore, com 13 anos de estrada e muita batalha no underground. Pela primeira vez com o respaldo de uma gravadora, que vem investindo numa boa divulgação, os caras têm tudo para chegar longe dessa vez. Zero e Um é um grande disco. Antes um link para matéria que fiz com eles antes de um show no Ballroom, um pouco depois da publicação dessa crítica: AQUI
"Zero e um" - Dead Fish
Desconhecidos do grande público, mas enormes no underground nacional, os capixabas do Dead Fish chegam a seu quarto CD de inéditas com um trabalho completamente profissional e muito bem produzido, que, do alto de sua maturidade de 13 anos de estrada, credencia a banda a um lugar de destaque no cenário do rock brasileiro. Ao contrário dos três primeiros e do CD Ao vivo lançado em 2002, todos bancados pela própria banda, Zero e um, tem o respaldo da gravadora Deck Disc e até mesmo uma mixagem internacional, feita pelo renomado Ryan Greene, que já trabalhou em discos de bandas importantes do hardcore mundial, como NoFX e Sick of it All.
Com seu punk rock melódico com toques de hardcores, o Dead Fish bota no chinelo o CPM 22, novos queridinhos das adolescentes pseudo-revoltadas e crentes que são punk rock. Para começo e fim de conversa, a banda tem letras inteligentes e não se resume a baboseiras românticas, como o bom e velho estilo criado por Ramones e Sex Pistols deve ser. E a grande diferença está aí.
Zero e um é composto de 14 músicas, uma pancada atrás da outra, além de uma faixa interativa, com o clipe da faixa-título, e um vídeo com a banda e o produtor do CD, Rafael ''ex-Baba Cósmica'' Ramos, falando sobre o processo de produção e as músicas. O som está de primeira, assim como o visual do CD. Alyand (baixo e voz) Hóspede (guitarra), Nô (bateria), Philippe (guitarra e voz) e Rodrigo (voz) apresentam uma segurança enorme em suas composições, com muito peso nas guitarras, uma cozinha competente e vocais nervosos, como o punk rock deve ser.
Logo de cara, Zero e um é a música que mais salta aos ouvidos, com uma bateria veloz e uma letra super interessante, que fala da relação do homem com o progresso da tecnologia. O próprio título se refere ao código binário, que é a linguagem mais básica e fundamental para o funcionamento de um computador. Queda livre, com o refrão ''Você é covarde demais!'', é outra que se destaca. Senhor, seu troco e Desencontros são as faixas arrasa-quarteirão, rápidas, pesadas e rasteiras, ao ponto que Você diminuiu um pouco o ritmo, mas sem deixar o pique cair. Enfim, é um disco de punk rock honesto, enérgico, de uma banda que, há muito tempo, já está merecendo um bom lugar ao sol.
Link para a crítica no JB Online
:: RAPHAEL CRESPO 5/10/2004 11:35:11 AM :: Comments:
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:: Segunda-feira, Maio 03, 2004 ::
Agnostic Front, Cro-Mags, Madball, Biohazard e M.O.D. são os principais nomes de um estilo que me empolga bastante?: o New York Hardcore. São bandas que pegaram o hardcore tradicional e adicionaram elementos do heavy metal, criando um estilo dos mais energéticos que se tem notícia, que ainda tem outros grandes nomes, como Sick of it All e Murphy's Law. Aqui vai uma crítica da coletânea do Madball, uma das minhas bandas favoritas do estilo.
"The Best of Madball" - Madball
O New York Hardcore (NYHC) é forjado por sangue. Não só daquele que eventualmente espirra nas vigorosas rodas de 'slam dancing', aquelas que lembram uma pancadaria generalizada nos shows de som pesado, mas também por se tratar de um estilo que tem entre seus principais pilares dois membros da mesma família. Basicamente criado no palco CBGB's, o NYHC teve como nome seminal o Agnostic Front, do vocalista Roger Miret, que já no início da banda deixava seu irmão mais novo, Freddy Cricien, com apenas sete anos, no cantinho do palco da casa de shows que, anos atrás, foi também o berço do punk. Pois foi Freddy o responsável pelo surgimento do Madball, outra banda lendária do estilo.
Se quando criança Freddy acompanhava os shows de seu irmão mais velho, ainda na adolescência a veia hardcore saltou de vez e ele subiu ao palco pela primeira vez com o Madball em 1988. No ano seguinte, a banda lançou o single Ball of Destruction e começou a fazer seu nome, para depois conseguir um contrato com a gravadora Roadrunner, graças ao EP Droppin' Many Suckers. Já com o apoio de um selo grande, a banda lançou três pérolas do NYHC: Set it off (1994), Demonstrating my style (1996) e Look my way (1998), cujas principais faixas foram compiladas na coletânea The Best o Madball, mais uma da série The Roots of Roadrunner, trazida para o Brasil pela Sum Records.
O peso do Madball, uma das bandas do NYHC que mais se aproximou do heavy metal, aparece em alguns de seus maiores clássicos, como Set it off, New York City, Down by law e Demonstrating My Style. Das 21 faixas compiladas, apenas duas ultrapassam os três minutos de duração, sendo que três delas não chegam nem a um minuto. Uma em especial, Hardcore Still Lives!, tem apenas seis segundo e se resume à banda gritando, em coro, o título da música, afirmando a atitude e o peso do New York Hardcore.
Em 2000, a banda lançou o excelente, porém obscuro, Hold It Down, pela Epitaph, gravadora conhecida por acolher as bandas punk da Costa Leste, principalmente da Califórnia. Sem nenhum disco completo desde então, o Madball segue atualmente fazendo shows esporádicos e promete um novo lançamento completo ainda para este ano. Uma prévia já saiu, um EP com quatro faixas inéditas, com o singelo nome de NYHC.
:: RAPHAEL CRESPO 5/3/2004 09:32:30 AM :: Comments:
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